Boletim do JF #08

STEVE VAI: O “AMOR A DEUS” QUE CUROU UMA DEPRESSÃO E ALAVANCOU SEU SUCESSO

Na indústria musical diversas vezes um hit é concebido à revelia do próprio artista autor da canção. Seja por não gostar tanto de um trabalho próprio que acabou caindo no gosto popular ou mesmo por imposição da gravadora em trabalhar determinada música, alguns sucessos podem ser renegados por seus criadores. Aqui no Brasil temos o exemplo do próprio Los Hermanos, que já deu mostras suficientes de não gostar de sua “Anna Júlia”, sucesso regravado até por George Harrison. Este problema, definitivamente, não aflige Steve Vai.

A composição mais famosa do virtuoso guitarrista americano é declaradamente também sua criação preferida: “For the Love of God”, lançada em 1990 no álbum Passion and Warfare, é uma catarse instrumental de 6 minutos. Um prato cheio para estudantes de guitarra, já que é permeada por uma série de técnicas como alavancadas, whammy bar tricks, two-hand tappingharmonics, etc. Para além do título óbvio “Pelo Amor a Deus” (em uma tradução livre), todo o clima da canção se mostra como uma espécie de procura e/ou elevação espiritual.

Capa de Passion and Warfare.

A atmosfera impressa em seu maior sucesso é prontamente entendida ao saber o momento que Steve passava na época da composição. No backstage do festival Rock in Rio de 2015, única edição brasileira da qual o músico participou, ele falou sobre o contexto em que a canção foi criada:

“Quando eu era mais novo, com 20 ou 21 anos, passei por momentos difíceis psicologicamente. Talvez isso se chame depressão, muito sombria. Eu precisava sair dessa condição ou morreria. Então eu mudei tudo em minha vida, mudei a maneira de comer, comecei a estudar coisas diferentes, comecei a olhar para dentro de mim mesmo… Uma das coisas que eu fiz foi começar a jejuar, que é uma forma de você limpar seu corpo. Quando eu estava trabalhando em “Passion and Warfare”, gravando a canção “For the Love of Gof” eu estava no meio de um jejum de 10 dias. Eu fazia isso duas vezes por ano. ”

Um mês antes do lançamento de Passion and Warfare, que alavancaria seu sucesso trazendo sua música mais conhecida, Steve participou de um cultuado show no Monsters of Rock Festival comandando as guitarras do Whitesnake, com quem trabalhava desde 1989 a convite de David Coverdale. A clássica performance virou o álbum ao vivo Live at Donington 1990 e promovia o álbum da banda britânica, que também contou com as guitarras de Steve, Slip of the Tongue.

O grande sucesso de Passion and Warfare e sua musicalidade diferenciada fez com que Steve considerasse esse o trabalho mais importante em sua carreira e que, como um todo, teve um cunho espiritual. O álbum foi todo baseado em uma série de sonhos que o guitarrista teve quando jovem. Ele diz que se forçou a ficar em estado alterado de consciência relativa, uma forma de apresentar coisas que são únicas para si. E complementou sobre a sua melhor música:

“Esta música é sobre o quão longe as pessoas vão para o amor de seu Deus. Quando você se disciplina a parar de fumar, a correr mais rápido ou a jogar melhor, você tem que ir fundo dentro de si. E isso é um acontecimento profundamente espiritual. É assim que você entra em contato com esse pedacinho de Deus dentro de você. É isso que eu estava tentando conseguir com “For the Love of God”, eu tentava encontrar esse ponto!”

Além disso tudo, a verdade é que Steve encontrou a vitória contra sua depressão psicológica e ganhou milhões de fãs ao redor do mundo com uma canção que, diferente de outros artistas, por gratidão jamais irá se cansar de tocar. Confira uma versão ao vivo do hino de Steve Vai:


ROCK OPINIÃO: 4 VERDADES OU POLÊMICAS INCONVENIENTES

1 – O soco do Chorão na cara de Marcelo Camelo foi culpa do próprio Hermano.

Era uma madrugada de julho no ano de 2004, esse que vos escreve voltava para casa com amigos após um show do Los Hermanos no município de Itaguaí, no Rio de Janeiro. A banda se apresentou na tradicional festa anual da prefeitura do município. Ninguém de nós imaginava que algumas horas após o grupo estaria envolvido em uma das maiores tretas do rock nacional.

Enquanto meus amigos e eu chegávamos em casa, o Los Hermanos partiu em direção à Teresina para se apresentar no Piauí Pop Festival. No mesmo voo estava o Charlie Brown Jr, que também tocaria no festival. Toda a confusão se deu em uma escala no aeroporto de Fortaleza. Chorão deu uma cabeçada e um soco em Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, defendendo o amigo, deu um soco em Chorão.

Lembro que, na época, o Global “Fantástico” embarcou na narrativa de Camelo noticiando que tudo se deu por uma entrevista à revista Oi em que o vocalista do Los Hermanos criticava o comercial que o Charlie Brown havia feito para a Coca-Cola. Por conta disso o líder da banda de Santos teria ido tirar satisfação pelas declarações e o agredido.

Em 2004 eu acompanhava fervorosamente a cena do rock nacional, ia em shows toda semana e lia cadernos culturais de dois a três jornais por dia. Mesmo sendo fã de Los Hermanos na época, sabia que Camelo já tinha se assumido um antagonista de Chorão em todas as entrevistas que dava a estes jornais. Inclusive criticava diretamente o sucesso do Charlie Brown “Papo Reto”, no trecho em que Chorão canta “Por que eu me fortaleço é na sua falha”, dizendo que o Los Hermanos era uma banda na contramão dessa música.

Muito grande foi minha alegria ao ver uma participação de Chorão e sua banda no programa Ensaio, da TV Cultura, em 2009. O vocalista contou com riqueza de detalhes tudo o que levou à briga com Camelo e reforçou o que eu já sabia desde a época ao disparar:

“Toda a entrevista que ele dava ele falava de mim, parece que me pegou pra ser a referência do que não era bom.”

Confira esse depoimento abaixo:

Se Chorão passou do ponto ao agredir o vocalista do Los Hermanos, Camelo tem culpa por ter ganhado um olho roxo. Ainda que tenha vencido o processo, a justiça derrotou várias vezes o cantor barbudo entendendo que houve “culpa concorrente”, ou seja, os dois contribuíram para o que aconteceu.

2 – O Deep Purple é uma escola musical mais rica e frutífera que o Led Zeppelin.

Vamos lá, a afirmação aqui não se trata de querer “apequenar” um gigante lendário do rock n’ roll que eu amo, como é o caso do Led Zeppelin, mas sim observar como o Deep Purple plantou ainda mais sementes do que seu contemporâneo liderado por Jimmy Page.

Em primeiro lugar, o Purple foi fundado em 1968 pelo tecladista John Lord, simplesmente o gênio pioneiro na fusão do rock com a música clássica tanto praticada pelo Purple. O estilo, conhecido como “Rock Sinfônico”, foi uma inovação muito maior do que o som enraizado no blues rock do Zeppelin. Influenciou diversas bandas, teve fusão e foi atualizado para “Metal Sinfônico” nos dias atuais. Alguns expoentes do estilo hoje são Nightwish e Symphony X. Falecido em 2012, Lord possuía um grau honorário de Doutor em Música pela Universidade de Leicester, sua cidade natal.

Ao contrário do Zeppelin, que viveu com apenas uma formação, o Purple teve inúmeras formações. Contou com a habilidade plural de diversos músicos a trazer novas tintas para esse quadro utilizando abordagens musicais diferentes. Não à toa vemos fãs da banda debatendo se a sua melhor época foi a conhecida como MKI ou MKII, MKIII, etc. Até sua morte, John Lord liderou a banda e Ian Paice foi o dono das baquetas e do ritmo em todas as fases do grupo.

Deep Purple: formação MK II nos anos 70.

Após um início com dois álbuns psicodélicos, logo o Purple acolheu e abandonou as estruturas do heavy metal contidas no best seller Machine Head ao lançar Who Do We Think We Are investindo em um som mais blueseiro. Com a saída do vocalista Ian Gillan e do baixista Roger Glover, que se confundem com a fase heavy metal da banda, entraram David Coverdale no vocal e Glenn Hughes no baixo em 1973. O som do grupo rumou para um estilo de muito mais swing que investia em funk rock e soul music, influências diretas de Hughes. O baixista, além de tudo, era um primoroso vocalista e dividia a voz com Coverdale. Já a banda de Page, teve uma fase onde se enveredou por folk rock e psicodelia e imprimiu bem isso no disco Physical Graffiti, porém o Purple expandiu ainda mais os horizontes musicais do que o Zeppelin.

É bem verdade que Page já era metido com produção nos anos 60, antes mesmo de formar o Zeppelin. Temos de lembrar, também, da carreira solo interessante do baixista John Paul Jones, incluindo a formação do Them Crooked Vultures, power trio do qual participou com Dave Grohl e Josh Homme. Porém, o vocalista Robert Plant teve uma carreira solo regular, funcionando em alto nível mesmo quando esteve outra vez ao lado de Page nos anos 90 e lançou o álbum ao vivo No Quarter.

Como semente que germinou da plantação chamada “Deep Purple”, nasceu o produtor Roger Gloover, baixista que se especializou ainda mais em produção musical e auxiliou bandas como Judas Priest e Nazareth, e foi fundada a banda Rainbow pelo guitarrista Richie Blackmore, que saiu do Purple em 1975. Nessa banda cantava nada mais e nada menos que Ronnie James Dio! Mais tarde o Black Sabbath, sem Ozzy Osbourne, foi reforçado pelas vozes de Dio e também de Ian Gillan.

Mostrando uma colheita frutífera mais abundante que a do Zeppelin, do Purple nasceu ainda o Whitesnake, banda ícone do hard rock formada por David Coverdale. Uma fantástica carreira solo de Glenn Hughes, que mesmo aos 68 anos continua a ser reverenciado como “The Voice of Rock” por cantar tão bem como nos anos 70. E, por último, aquela contribuição que os donos das lojas de instrumentos musicais mais se desesperam: é do Purple o mais popular riff de guitarra de todos os tempos na história do rock. Em toda loja de instrumento que se preze deve haver algum garoto, iniciante nas aulas de guitarra, tocando sem parar a introdução de “Smoke On the Water” todo orgulhoso.

3 – Axl Rose canta como o Mickey Mouse, mas Slash fez o show da sua vida no Rock in Rio 2017.

Na edição de 2017 do Rock in Rio no Brasil, o Guns N’ Roses voltou ao festival incumbido de tirar a má impressão causada em 2011. Na época, até o dono da marca Roberto Medina declarou que nunca mais traria a banda tamanha falta de respeito com o público ao atrasar horas e horas a fio seu show que era o último do festival, já na madrugada de segunda-feira e debaixo de chuva.

O fato é que Axl Rose voltou ao Rio e da forma que todos queriam ver há anos: ao lado de Slash! Foram 3 horas e meia de show com um setlist de 32 músicas que terminou depois das 4 horas da manhã. Chegou um ponto em que eu já não aguentava mais de fome e resolvi ouvir de longe os grunhidos de Axl, mais tarde apelidado de Axl “Mickey” Rose. Em alguns momentos, como em “My Michelle”, confesso que fiquei com vergonha alheia ao ouvi-lo. O vocalista, sabidamente, está em péssima forma vocal, mas se esforçou muito.

Axl desengavetou músicas raras do Guns, fez cover do Bob Dylan, The Who, AC/DC e homenageou o recém falecido Chris Cornell com uma densa versão de “Black Hole Sun”. Mesmo com o gogó abalado, dava para ver que tudo o que ele queria era fazer o maior show de sua vida ali naquele momento e se redimir. Ele não conseguiu, mas quem acabou fazendo esse “show da vida” foi seu parceiro que retornava à banda após longa espera dos fãs.

Slash tocou e solou em sua guitarra de forma magistral. Se o público tinha alguma dúvida sobre ele ainda conseguir ser o mesmo guitarrista que 26 anos antes havia se apresentado, no auge, no mesmo Rock in Rio em 1991, a incerteza foi para as cucuias logo no início. A cartola na cabeça qualquer um pode usar, mas o timbre inconfundível de sua guitarra é a marca da originalidade que atestava que era ele mesmo de volta. Ele ainda escolheu unir dois dos momentos de maior poesia de seu instrumento na história do rock e foi ovacionado performando “Wish You Were Here” (Pink Floyd) o solo final de “Layla” (Eric Clapton). De longe, Slash foi a grande estrela do show extenso e cansativo, mas que pagou o ingresso.

4 – Freddie Mercury perdeu o reinado, Bruce Springsteen fez o melhor show da história do Rock in Rio.

Já que falei de Rock in Rio na terceira verdade/polêmica inconveniente, vou estender o assunto. Em 2013, Bruce Springsteen voltou ao Brasil após 25 anos para brilhar no Rock in Rio junto com sua competente E Street Band. Com 63 anos na época, o “Boss” fez tudo o que um artista pode fazer para colocar sua apresentação em um patamar antológico. A maratona de quase 3 horas de suor escorrendo começou com ele abrindo o espetáculo simplesmente tocando “Rauuuuuul”. Bruce fez uma versão de “Sociedade Alternativa”, do Raul Seixas, e já começou ganhando o público em uma noite que não era ele o artista mais popular.

O primeiro CD produzido em uma fábrica nos EUA foi Born in the USA, de 1984, o maior clássico e best seller de Bruce. Em determinado ponto da apresentação ele avisou que a noite traria algo especial, pois tocaria o álbum completo para deleite da galera. A esta altura, todos já estavam encantados com o carisma e o vigor físico de um senhor que cantava, dançava, tocava guitarra, brincava com sua banda, chamava o público, esfregava a cara em um balde de gelo e sorria o tempo todo emendando músicas sem cansar.

Bruce chamou vários fãs ao palco para cantar o hit “Dancing in the Dark”, deu o microfone para um menino de 10 anos cantar um trecho de “Waiting On a Sunny Day”. Interagiu com a plateia sem parar, conversou em português (lendo um monitor) e desceu até o público para dar as mãos às pessoas. Nenhuma poupança de esforços para agradar e fazer do seu show no festival uma experiência única. A prova de que ele não queria ir embora é a de que os fogos de artifício, que tradicionalmente anunciam o encerramento dos shows no palco principal, foram lançados e Bruce continuou tocando.

Springsteen conquistou o público no Rock in Rio.

O músico escolheu encerrar o show com o astral ainda mais para cima em uma versão da dançante “Twist and Shout”, dos Beatles, usando ainda um trecho de “La Bamba”, de Ritchie Valens. Como se não bastasse, voltou novamente com um violão para cantar sozinho “This Hard Land”. Felizmente tenho esse show guardado em qualidade HD.

É claro que o Queen ficou marcado na história por ter gerado o momento de maior brilho no Rock in Rio de 1985 com o belo coro de vozes em “Love of My Life”, mas a proposta dessa pauta é falar verdades, ainda que sejam polêmicas inconvenientes: Bruce Springsteen não fez um show, mas sim uma celebração de amigos, o maior espetáculo da história do Rock in Rio no Brasil.


CURIOSIDADE: ROCK DE EX-FLEETWOOD MAC JÁ DIVERTIU MUITA GENTE NA SESSÃO DA TARDE

Se você ouve o divertidíssimo rock “Holiday Road”, tema da clássica comédia oitentista “Férias Frustradas” (National Lampoon’s Vacation), e logo sente um cheiro de infância assistindo à sessão da tarde na TV, é sinal de que tem pelo menos três décadas e alguns anos de vida. Com certeza a vida hoje é bem mais séria do que naquela época, mas uma das coisas boas da fase adulta é poder pesquisar e saber das coisas que não fazia ideia quando mais novo. É exatamente o que fiz após rir um monte assistindo essa comédia impagável novamente.

Bateu a curiosidade de saber quem é o dono daquele hit de ritmo dançante que aparece no filme de 1983 quando o hilário Clark, interpretado pelo ator Chevy Chase, está dirigindo a toda na estrada levando sua azarada família para curtir um feriado. Tanto a composição quanto a gravação de todos os instrumentos da faixa são do cantor, multi-instrumentista, compositor e produtor Lindsay Buckingham. Hoje com 70 anos, ele é mais conhecido por ter integrado o grupo britânico de soft rock Fleetwood Mac em seu período de maior sucesso. Entre 1975 e 2013, Buckingham gravou 7 álbuns com o Fleetwood, dentre eles o grande clássico e um dos mais vendidos na história da música: Rumors, de 1977.

Em 1981, Buckingham começou a reaquecer a carreira solo que levava antes de integrar o Fleetwood. Em paralelo ao grupo, começou a fazer coisas diversificadas. O fato é que em 1983 o músico começou a trabalhar na composição de uma trilha que tivesse a ver com o roteiro de John Hughes para uma comédia que traria a história de uma fracassada viagem de uma família para a Disneylândia. O roteiro era baseado em um artigo do próprio Hughes para a revista “National Lampoon”. O filme, dirigido por Harold Ramis, teve orçamento de 15 milhões de dólares e ainda contou com a participação da supermodelo americana Christie Brinkley em cenas cômicas de flertes com o personagem principal Clarck. Confira um trailer do filme de 1983 com a trilha de Buckingham:

Holiday Road foi um tremendo sucesso, reapareceu nas sequências do filme “Férias Frustradas 2”, “Férias Frustradas de Natal” e “Férias Frustradas em Las Vegas”, de 1985, 1989 e 1997 respectivamente, além do remake “Férias Frustradas”, de 2015. A música também teve versões gravadas por bandas de punk rock como Limp e Aquabats e em 2013 foi adotada como canção tema na vitória do Chicago Blackhawks nos playoffs da liga de Hockey “Stanley Cup”. Na canção original, Buckinham gravou voz, guitarra, baixo, teclados, percussão e programou as baterias da faixa. Segue abaixo uma performance ao vivo desse hit com a cara dos anos 80:


ÁLBUM RECOMENDADO: “DA MINHA VIDA CUIDO EU”, DA MEGH STOCK

A primeira vez que vi Megh Stock foi em fevereiro de 2006 de forma impactante. Em uma promoção de jornal havia ganhado CD e ingressos para curtir a badalada turnê MTV Ao Vivo do Barão Vermelho que passaria pela Fundição Progresso, no Rio. Todos estavam ansiosos pela entrada do Barão, mas antes teríamos uma banda de abertura ainda pouco conhecida, chamada “Luxúria”.

Foram cerca de quarenta minutos de apresentação em que, desde a entrada de Megh até a sua saída, eu e meus amigos presentes não conseguimos tirar a atenção daquele som de personalidade forte e da presença de palco da cantora de voz rasgada. Foi uma noite de um aguardado show onde a abertura foi ainda mais surpreendente. Depois disso, para conhecer melhor, comprei o ótimo disco do Luxúria e fui em shows da banda.

O grupo conseguiu um sucesso nacional colocando clipes na MTV, emplacando trilha sonora na novela Malhação e abrindo shows do Evanescence no Brasil em 2007. Contudo, fui pego de surpresa em 2009 com o rompimento da banda que sempre vi com grande potencial. Felizmente Megh Stock mostrou que haveria uma continuação com seu nome e uma abordagem sonora que fundia rock com jazz e blues.

Capa do álbum “Da Minha Vida Cuido Eu”.

Lançado em 2009, Da Minha Vida Cuido Eu é o primeiro álbum que leva o nome da cantora e compositora. Gravado pelos músicos que já estavam na antiga banda, das 12 faixas, 8 são assinadas exclusivamente pela vocalista e 4 por ela e seus parceiros. O disco investe na dinâmica musical pretendida por Megh e, diferente do tempo de Luxúria, traz muito sopro, cordas e piano. O naipe de metal dá as caras na faixa título, um bom jazz rock. “O Filme” e “Contra o Sol” são lindas baladas cantadas de forma suave por Megh e embelezadas por arranjos de cordas.

A nuance jazzística é ainda mais forte na música “Inveja” e sua sucessora e melhor faixa do álbum “Ele Se Sente Só”. Aqui, a introdução lembra um clima meio “Clube de Cassino” e os ataques dos instrumentos de sopro e a linha de baixo são a alma da canção. Um rock direto é ouvido em “Personagens”, momento do trabalho em que as guitarras falam mais alto e mostram de onde Megh veio.

Megh ainda lançou um outro trabalho com seu nome em 2011 e hoje tem se dedicado à sua família e fé religiosa em São José dos Campos, sua cidade natal. Eu curto o som pesado do Luxúria, mas gosto ainda mais desse trabalho que leva o nome da sua vocalista. O álbum deixa claro a personalidade multifacetada de uma compositora de alma e atitude rock n’ roll perseguindo tons mais swingados para seu quadro sonoro.


Boletim do JF ® é feito por Jorge Felipe Coelho.

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