Boletim do JF #02

*Essa coluna foi originalmente publicada no dia 11/02/2020.

GARY MOORE: VOCÊ PRECISA CONHECER UM DOS MAIORES GUITARRISTAS DA HISTÓRIA

No último dia 6 completaram-se nove anos que o mundo da música perdeu Gary Moore. Irlandês de Belfast, desde o fim dos anos 60 o cara passeou por jazz rock e hard rock e, posteriormente, blues e baladas.

Colecionou fama de energético, mandão e briguento, mas até os seus desafetos reconheciam o talento genial de Moore como guitarrista. Dominava, como poucos, timbres limpos e pesados, o que lhe dava grande versatilidade de composição.

Sua primeira banda, ainda aos 18 anos, se chamava Skid Row (Não! Não é a famosa banda de Sebastian Bach), mas seu estilo peculiarmente exigente o levou para a carreira solo em 1973. Paralelamente era recrutado por seu parceiro Phil Lynott, líder do Thin Lizzy, em colaborações com a icônica banda de hard rock. A mais importante delas, a gravação do álbum Black Rose: A Rock Legend, um dos mais marcantes do grupo irlandês.

Foi ao lado de Lynott, com quem brigava muito, mas amava como se fosse um irmão, que Moore alçou o primeiro voo mais alto e agitou o mundo da música com Parisienne Walkways. O single, composto pela dupla, trouxe um riff de guitarra marcante e obteve ótimo desempenho nas paradas inglesas de 1979. Outra parceria de sucesso da dupla foi em 1985, com o ótimo hard rock de Out in the Field.

Devido ao talento que saltava aos olhos, Moore seguiu a carreira solo fazendo parcerias com músicos do calibre de Ozzy Osbourne, Glenn Hughes, Ian Paice (Deep Purple) e Greg Lake (Emerson, Lake and Palmer) até mergulhar de cabeça no blues lançando Still Got the Blues, em 1990. O álbum foi um tremendo sucesso comercial capitaneado pela faixa título, um blues lento que trouxe um dos solos de guitarra mais famosos da música. Albert King, Albert Collins e George Harrison tiveram colaborações dentro do disco.

After Hours, álbum que sucedeu o best seller de Moore em 1992, é considerado uma continuação de sua vertente blues. A participação de BB.King, duetos de vozes femininas e seções de metais embelezaram um ótimo repertório de canções, imprescindíveis em seus shows desde então, como Cold Day In Hell e Since I Met You Baby.

Para conhecer um dos maiores guitarristas da história, recomendo uma ótima coletânea chamada The Platinum Collection. Nela, encontramos três discos temáticos a saber: o disco 1 cobre a fase rock, o disco 2 cobre a fase blues e o disco 3 é todo composto de versões ao vivo.

Outra boa dica é assistir ao DVD Gary Moore & Friends: One Night In Dublin, concerto de 2005 que Moore realizou com membros do Thin Lizzy em Dublin. São tocados clássicos do Lizzy em homenagem ao falecido amigo Phil Lynott, que ganhou uma estátua na cidade.

O último lançamento, póstumo, de Gary Morre é recente e saiu em janeiro desse ano. Cobrindo o registro de uma apresentação intimista no London’s Islington Academy, em 2 de Dezembro de 2009, Live From London captura um pouco da paixão com que Moore tocava ao vivo a cada noite. Observe você mesmo a linda versão de seu maior clássico, Still Got the Blues:


CRIANÇAS E IRON MAIDEN

A versão traduzida para o português do livro Iron Maiden for Maiden Kids, de 2011, está disponível. A mistura de livro ilustrado, cartilha e minienciclopédia foi escrita por Stjepan Juras, que é responsável pelo fã clube croata da “Donzela de Ferro”.

Agora sob o título “Iron Maiden Para Crianças”, a leitura é destinada a crianças e adolescentes dos 7 aos 15 anos e busca estimular a criatividade através de textos temáticos simples relacionados à 57 músicas do grupo.

O colaborador do site WhiplashIgor Soares, citou algumas questões que são abordadas por meio de ilustrações e rimas de fácil memorização: Quem é o personagem imaginário mais famoso da Transilvânia? Quem foi o famoso Fantasma da Ópera? Quem são os nativos americanos e por que algumas pessoas os chamam de “índios”? Quando foram realizadas as viagens viking? O que é um eclipse solar? Quem foi Ícaro? Por que as pirâmides foram construídas? Quem foi Alexandre, o Grande? Como os submarinos funcionam? Por que as pessoas têm medo do escuro? O que é uma bomba atômica e por que ela é perigosa? Quando começamos a explorar o espaço sideral?

Somente o Blog Iron Maiden 666 realiza a pré-venda do livro “Iron Maiden Para Crianças”, com tiragem limitada. O valor é de R$49,90.

Por falar em Iron Maiden, a banda retoma em maio a aclamada turnê Legacy of the Beast, com shows marcados na Oceania. Recentemente, o vocalista Bruce Dickinson declarou que o grupo nunca vai se aposentar, durante uma de suas palestras What Does This Button Do?, nas quais passa a limpo, de maneira bem humorada, o conteúdo de seu livro autobiográfico. Quem aí está ansioso para assistir a palestra que passa por São Paulo em agosto?


ANÁLISE: SHOWS CONJUNTOS OU FESTIVAIS?

No fim do ano passado foi anunciada uma turnê conjunta em que Mötley Crüe, Joan Jett, Poison e Def Leppard percorrerão os maiores estádios dos EUA em 2020. Green Day, Fall Out Boy e Weezer também já haviam somado forças oficializando uma ação do tipo.

Com a recente divulgação de um mega show conjunto a ser realizado por System of a Down, Faith No More e Korn no Banc of California Stadium, de Los Angeles, em maio, uma questão se coloca naturalmente para esse ano: shows conjuntos ou grandes festivais, o que se torna mais atrativo ao público?

Na última edição brasileira do Festival Rock in Rio tivemos, novamente, toda aquela discussão que se repete sobre formação do Line Up e público totalmente heterogêneo: Ivete Sangalo no mesmo dia que Bon Jovi, King Crimson no mesmo dia que Imagine Dragons e Muse, Whitesnake deslocado ao Palco Sunset enquanto o Weezer tocava no Palco Mundo… essas foram algumas polêmicas lançadas em 2019.

Vi especialistas relatando que o King Crimson, dinossauro do rock progressivo dos anos 60, foi propositalmente colocado ao lado de Imagine Dragons e Muse como uma estratégia do festival para capturar dois tipos de público: os papais seriam entretidos enquanto os filhos curtiriam as bandas do momento. Ao mesmo tempo, a proposta de mega shows parece ser bastante atraente, uma vez que o público consumidor de Mötley Crüe e Poison, Green Day e Weezer, ou mesmo System of a Down e Korn, por exemplo, é bastante parecido.

Tudo isso acontece no momento em que tivemos a perda de Neil Peart, maior ícone do Rush, Ozzy Osbourne tem grandes chances de se aposentar devido a problemas de saúde, o Kiss está em sua última turnê na carreira e o Iron Maiden é indagado, a todo instante, sobre quando irá encerrar as atividades. A percepção geral é a de que as super bandas capazes de lotar arenas sozinhas vão se tornar coisa do passado.

No Festival Lollapalooza Brasil, por exemplo, muitas vezes assistimos shows de bandas que não conhecemos e que não tocam em rádio tradicional, porém há um público grande prestigiando e cantando junto com tais grupos. De modo geral, eles conquistaram seu espaço e público com a facilidade e advento das redes sociais. Em tempos de nichos específicos, investir em um público segmentado tem se mostrado uma alternativa viável para driblar crises.

Observaremos essas turnês conjuntas nos EUA ao longo de 2020 e, com seu sucesso, penso que a tendência irá se fortalecer, com boas chances de a moda chegar por aqui. E você, o que acha mais atrativo: shows conjuntos ou grandes festivais?


CURIOSIDADE: E SE OS QUATRO BEATLES ESTIVESSEM JUNTOS ATÉ 2030?

A licença poética falou alto em mais um ótimo vídeo produzido por Angelo di Carpio. Especializado em vídeos onde mostra a mudança na aparência de personalidades ao longo de suas vidas, em seu canal no youtube o cara já mostrou o envelhecimento de Keith Richards (Rolling Stones) e Brian Johnson (AC/DC), por exemplo.

Dessa vez, Angelo produziu seu vídeo mais poético. Acompanhou a carreira dos Beatles, desde 1958 até hoje, e ainda criou livremente acontecimentos fictícios. A sobrevivência de Lennon após os tiros disparados por Mark Chapman, a vitória de Harrison na luta contra o câncer e até uma reunião da maior banda da história após mais de 40 anos são parte dessa obra.

Um aviso aos “Beatlemaníacos” que forem assistir: fortes chances de a emoção aparecer ao final, imaginando o quão bom seria.


ÁLBUM RECOMENDADO: “LIVE AT LUTHER COLLEGE”, DE DAVE MATTHEWS & TIM REYNOLDS

Em 1996 a Dave Matthews Band (DMB) ainda estava a alguns meses do lançamento de Crash, álbum de maior sucesso comercial do grupo, quando Dave Matthews e seu parceiro Tim Reynolds gravaram uma apresentação acústica na Igreja Luterana Evangélica Luther College.

Somente três anos após o lançamento do best seller da DMB, com sucesso já consolidado, é que Live at Luther College chegou ao mercado. O registro capturou diversas canções de Crash, que viriam a ser mundialmente conhecidas mais tarde, em belas interpretações no estilo “voz & violão”.

A sintonia de Dave Matthews e Tim Reynolds ao longo do show é incrível. Deram origem a um álbum orgânico (já que as músicas da DMB nascem do violão), espontâneo (uma vez que escolheram tocar canções, até então, inéditas na discografia do grupo de jazz rock) e muito melódico.

A dupla Dave Matthews e Tim Reynolds só voltou a lançar outro registro ao vivo juntos em 2007, com Live at Radio City, mas o frescor e a espontaneidade contidos em Live at Luther College ainda o faz ser o álbum preferido da dupla entre os fãs.

Ouça Dave Matthews cantando a linha melódica dos naipes de metal (ausentes no show acústico) logo na introdução de Tripping Billies e perceba a agradável atmosfera dessa apresentação intimista no “Centro pela Fé e Vida” da Luther College.


Boletim do JF ® é feito por Jorge Felipe Coelho.

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