Boletim do JF #01

*Essa coluna foi originalmente publicada no dia 03/02/2020.

CLÁSSICO DO GREEN DAY COMPLETA 26 ANOS

Chegamos ao segundo mês de 2020 e, por isso, é hora de celebrar os 26 anos de lançamento do álbum que decolou a carreira do trio punk rocker Green Day. Em 1994, o álbum Dookie chegou às lojas no primeiro dia de fevereiro e não demorou a tomar os primeiros lugares nas paradas musicais de rock moderno da Billboard com os singles When I Come AroundBasket Case e Longview.

Certa vez, Rob Cavallo (que já produziu Linkin Park, Dave Matthews Band, Alanis Morissette, Black Sabbath, dentre outros) declarou que “havia tropeçado em algo bem grande, com faixas que grudavam na mente” quando recebeu do Green Day a primeira fita demo do que viria ser o álbum de maior sucesso comercial da banda. Na época, o Green Day já chamava a atenção de uma série de grandes gravadoras devido ao sucesso de Keplunk, segundo álbum da carreira do trio. Logo após romper amigavelmente com sua gravadora independente, a Lookout! Records, eles ficaram livres pra assinar com a Reprise Records e iniciar, assim, a parceria com Cavallo, que ainda se estenderia pelos álbuns InsomniacNimrodAmerican IdiotBullet in a Bible¡Uno!¡Dos! e ¡Tré!.

Após as três semanas de gravação e a primeira mixagem, o vocalista e principal compositor do álbum, Billie Joe Armstrong, achou o resultado insatisfatório. A ideia do grupo era criar um som “seco”, semelhante aos primeiros álbuns do Black Sabbath e ao álbum do Sex Pistols. Rob Cavallo captou a ideia de Armstrong, remixou novamente o álbum, e o resto é história.

Dookie vendeu mais de 20 milhões de cópias ao redor do mundo e trouxe, em essência, quase 40 minutos de letras sarcásticas e pessoais aliadas a um som muito empolgante com bateria acelerada e vocais cativantes, fáceis de assobiar. Devido a sua explosão de popularidade, se tornou um clássico dos anos 90, consagrado no número 50 da lista que contém os 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, além de ter levado o Grammy de “Melhor Álbum de Música Alternativa” em 1995.

Mesmo após o lançamento de American Idiot, outro marco na carreira dos californianos e que acabou por modernizar seu som e engrandecer seus shows, até hoje Dookie é uma forte referência de base para o setlist dos shows da banda. Vez ou outra o grupo faz a alegria dos fãs ao anunciar que vai tocar o disco na íntegra. Isso aconteceu, recentemente, em outubro do ano passado, durante show em Madri, na Espanha.

Ficou curioso? Calma, como sei que poucos tiveram a oportunidade de estar em um desses shows em que o trio executou seu best seller inteirinho, indico o vídeo com uma grande apresentação no Reading Festival de 2013, onde o grupo tocou o Dookie do início ao fim (a partir do minuto 50), além de diversos outros hits de sua carreira.


RICHIE KOTZEN COMEMORA 50 ANOS EM GRANDE ESTILO

Responda de forma rápida: quantas vezes você lembra de ter visto um artista lançar um único álbum com 50 músicas novas? Inegavelmente, uma ação do tipo é algo raro e ambicioso. Pois Richie Kotzen dá a oportunidade de conferir exatamente isso com 50 For 50, que acabou de chegar às plataformas digitais hoje, data de aniversário do cara.

Lançando seu 23º álbum solo, o virtuoso músico americano resolveu celebrar meio século de vida se desafiando ainda mais. O novo trabalho traz 50 canções em que o guitarrista e vocalista do supergrupo Winery Dogs busca passear sobre as influências apresentadas ao longo de sua extensa e brilhante carreira: hard rockR&Bjazzfunkfusion e soul music.

O primeiro single do álbum, a balada Devils Hand, já possui videoclipe disponível no canal do músico. A turnê de divulgação de 50 For 50 possui datas marcadas para os EUA (Junho) e Europa (Agosto e Setembro), mas a ideia é passar ainda por México, Japão e América Latina. O próximo show do músico será na sexta agora, dia 7, dentro do Monsters of Rock Cruise, um cruzeiro marítimo que sairá de Miami em direção a Belize, na América Central.

Como um grande admirador do trabalho do Richie Kotzen, seja fazendo rocksouljazz etc, torço para que a turnê chegue ao Brasil também. Quem sabe a Julia Lage, esposa brasileira do cara, possa dar aquele empurrãozinho no marido e fazer a alegria dos fãs do lado de cá do Atlântico.


FIM DA LINHA PARA O PRÍNCIPE DAS TREVAS?

Recentemente ficamos sabendo, de maneira oficial, que o velho Ozzy Osbourne foi diagnosticado com mal de Parkinson. A presença do próprio Ozzy, juntamente com a esposa Sharon, no programa Good Morning America serviu para pôr fim às especulações em torno da saúde do “Príncipe das Trevas”.

No programa, o casal Osbourne falou sobre dormência, tremores, rigidez muscular e o estado de choque que acomete o primeiro vocalista do Black Sabbath, hoje com 71 anos. Sharon confirmou que o marido sofre com o estágio 2 da doença de Parkinson.

Para quem viu algum show de turnê recente do músico, é totalmente perceptível suas dificuldades motoras e ritmo lento quando está no palco. Eu mesmo pude constatar isso na última passagem do Black Sabbath pelo país. Ainda não se sabe qual será a estratégia a ser adotada em sua carreira ou sequer se ela continuará, uma vez que não existe cura para a doença, apenas um tratamento destinado a melhoria dos sintomas.

Fazendo um apanhado dos excessos cometidos por Ozzy, principalmente entre os anos 60 e 80, e prevendo a enorme dificuldade que ele terá para continuar a carreira acompanhado com a gravidade da doença de Parkinson, o jornalista Régis Tadeu publicou um vídeo de análise bastante realista, o qual recomendo.


ÁLBUM RECOMENDADO: “ELETRIC WARRIOR”, DO T.REX

Liderado pelo vocalista britânico Marc Bolan, o T.Rex começou em 1967 como um duo de folk psicodélico, época em que se chamava “Tyranossaurus Rex”. O som mudou e foi amplificado, atingindo seu ápice em 1971 com o lançamento de Eletric Warrior. O T.Rex terminaria em 1977 com a morte de Marc Bolan.

Eletric Warrior é um álbum muito divertido, com ótimas canções de glam rock, trazendo percussões com bongô, backing vocals afinadíssimos, sussurros e baladas sensuais. Contém, ainda, o maior hit da carreira do grupo, Get It On (Bang a Gong), com um marcante solo de saxofone.

Não deixe de ouvir esse “discaço” e tente responder à questão: seria Cigarettes and Alcohol, do Oasis, uma cópia descarada do grande hit do T.Rex?


Boletim do JF ® é feito por Jorge Felipe Coelho.

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